Recebi com muito prazer o convite do meu grande amigo Cesar Benatti para falar sobre a análise de desempenho no voleibol. Então comecei a pensar no que falar sobre esse assunto tão vasto, nessa função tão importante e pioneira nos esportes — pelo menos aqui no Brasil.
Pensei em dissertar sobre as questões técnicas, sobre os aspectos mais importantes que abordamos ao fazer essa análise, mas resolvi partir para o lado filosófico da coisa. O que fazemos com os dados, como os interpretamos e o quanto isso guia nossas ações nos treinos e jogos muda de maneira absurdamente radical de uma pessoa para a outra. O quanto cada treinador valoriza a análise de desempenho também muda muito — e não cabe a mim determinar o que é certo e o que é errado.
Para Onde Pode Evoluir a Análise de Desempenho?
Hoje em dia, com os softwares e aplicativos de coleta e interpretação de dados e imagens em tempo real, temos ferramentas poderosíssimas para realizar os estudos da nossa equipe e da equipe adversária. Conseguimos identificar tendências e comportamentos de atletas individualmente e também do coletivo.
Com a sincronização dos dados com os vídeos, podemos montar vídeos com um alto nível de especificidade da nossa necessidade. Parece que temos tudo a nossa disposição — dependendo somente de nós, treinadores, saber interpretar todos os dados que aparecem.
Mas estamos sempre em busca de aperfeiçoamento. Que caminhos ainda temos muito a trilhar? Qual aspecto do jogo precisaria ainda mais ser dissecado pela análise de desempenho?
Os 3 Aspectos da Análise de Desempenho
A técnica é aquela menos complexa, onde você observa o gesto técnico de cada atleta. O gesto de ataque (qual o golpe mais forte, por exemplo), o levantamento (altura dos braços, deslocamento até a bola), o bloqueio (o quanto invade, quando invade) e tantos outros gestos técnicos são menos complexos de se identificar. A eficiência desses gestos também não é tão difícil de quantificar.
A tática já começa a ser um pouco mais complexa pelo fato de existirem fatores externos ao atleta e à equipe — o adversário. Identificar tendências táticas exige uma compreensão maior do que está acontecendo no jogo e, quanto mais dados você possuir, mais informações terá para identificar as tendências táticas da equipe estudada.
Se em uma partida a equipe está jogando contra centrais mais baixas, pode ser que a tendência de bolas jogadas ao centro nessa partida específica seja maior do que em outras. Cabe a nós, treinadores, identificar se aquela tendência vem de características técnicas da equipe estudada ou é consequência de características da equipe adversária.
O terceiro aspecto é aquele que ainda temos muito a desenvolver — porque envolve a ferramenta mais complexa de todas: a mente humana. O comportamento humano ainda é um universo minimamente compreendido, apesar de muitos e muitos estudos.
A mente humana é fantástica e já tivemos muitos exemplos de atletas e equipes que, a partir de um determinado momento do jogo ou campeonato, mudaram completamente o modo de abordar os pontos, os sets, as partidas. Viradas espetaculares de equipes que perdiam de 2 sets a 0. Muitos exemplos que ainda fogem da nossa compreensão total — e que tornam nosso esporte emocionante e cativante para quem joga ou assiste.
A Red Zone
Já possuímos algumas ferramentas para tentar identificar e prever o comportamento de atletas e equipes. Um exemplo é a chamada Red Zone:
É uma tentativa válida de se identificar comportamentos, mas acredito que estamos ainda muito, muito longe de possuir ferramentas mais efetivas nesse sentido.
A grande questão em aberto
Acredito que desenvolver esse aspecto dentro da análise de desempenho pode se tornar aquele algo a mais que sua equipe precisa para crescer ainda mais.
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